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Abetre mostra que o desafio atual do aproveitamento energético é eficiência energética e redução de custos.

Fonte: ALESC Online

A primeira parte da programação do Sustentar 2014, na manhã de hoje (23), foi dedicada ao tema dos resíduos sólidos. A recuperação energética de resíduos nas políticas públicas e a valorização energética de resíduos foram dois aspectos abordados pelos palestrantes do Fórum sobre Energias Sustentáveis, Consumo Responsável e Agricultura Rural e Urbana.

O diretor da Associação Brasileira de Empresas de Tratamento de Resíduos (Abetre), Diógenes Del Bel, falou sobre a recuperação energética de resíduos nas políticas públicas. Ele participou de todos os fóruns que resultaram na elaboração da Política Nacional de Resíduos Sólidos e explica que a recuperação é uma destinação ambientalmente adequada, prevista na política. Na prática, a recuperação consiste em aproveitar o potencial energético do resíduo antes de colocá-lo no aterro.

A legislação brasileira classifica os resíduos por categoria de geração e atribui responsabilidades pelo gerenciamento. “Pela lei, cabe ao poder público gerenciar apenas o resíduo urbano, mas os municípios acabam assumindo resíduos comerciais, de construção civil e de saúde”, explicou Del Bel. Conforme o presidente da Abetre, o desafio atual do aproveitamento energético não é mais a redução de emissões, mas a eficiência energética e a redução de custos.

Valorização energética

Um dos objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) é acabar com os lixões, que ainda somam 42% de todos os aterros no Brasil. A implementação de usinas térmicas a biogás nos aterros sanitários é uma realidade mundial e começa a ser incentivada no Brasil. O diretor de desenvolvimento da Solví Valorização Energéticas, Carlos Alberto Nunes Bezerra, falou sobre algumas experiências da empresa nessa área. Ele disse que a energia térmica de biogás, com incentivos governamentais, pode se tornar competitiva e viável em todos os aterros sanitários.

Um dos cases apresentados pelo palestrante foi o aterro metropolitano de Salvador, onde a empresa implantou redes de captação de biogás, sistema de tratamento e uma usina térmica a biogás com potência instalada de 20 MW. A empresa está começando a implantação de outras duas usinas, em Minas do Leão (RS) e em Caieiras (SP). Uma quarta experiência em que o grupo empresarial está investindo é a geração de energia a partir da incineração. O processo térmico de combustão é visto com reservas por muitos, mas trata-se de uma tecnologia consolidada, segundo Bezerra.

O Brasil gera atualmente apenas 65 MW de biogás de aterro. Não é nada frente ao que o mundo possui (perto de 10 GW) e à capacidade do país. “Um programa energético voltado para o setor poderia contribuir com o problema de saneamento no país e com a matriz energética brasileira”, opinou o palestrante.

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